No Dia do Estudante, hoje, o aluno da rede pública estadual tem pouco o que comemorar. Para o coordenador geral do Sinte-RN, Rômulo Arnaud, as escolas continua
Há umas duas ou três décadas, os movimentos estudantis eram fortes. Alimentados pelo desejo de igualdade social, de uma nação mais humana, eles incomodavam quem trabalhasse contra esse ideal. Hoje, ainda existem, mas, a partir da formatura, é colocada uma pedra nestes sonhos e na esperança de dias melhores. O sucesso, o poder e o dinheiro tomam o lugar dos grandes projetos humanitários.
Resta a pergunta: Onde está essa força de mudança que é própria do jovem? Uma narração faz a contagem regressiva, enquanto que três jovens, no centro do palco, com mochilas e folhas nas mãos, acompanham olhando para o relógio. Ao redor deles, estão os personagens: aluno, doente, vítima e desempregado.
Eles permanecerão no palco coberto com um lençol.
NARRAÇÃO: 5, 4, 3, 2, 1 (toca um sinal e eles jogam as folhas para o alto e comemoram)
ALFREDO: Uhhh!!! É o fim!!! (eles se cumprimentam)
LÚCIO: Parabéns caro Dr. Alfredo. (riem)
ALFREDO: O que é isso, excelentíssimo juiz Lúcio.
LUCIANA: Ah, pessoal, como nós somos bobos mesmo. (riem)
LÚCIO: (justificando) Lú, nós nos formamos. Isso é motivo de muita festa!
LUCIANA: Viva os novos formandos!
Todos: Viva!!!
Inicia-se uma música festiva. Eles dançam. Aos poucos eles vão perdendo a graça. Entra uma música mais triste.
LUCIANA: Puxa pessoal, eu sei que é muito dez nós nos formarmos, mas... e agora?
ALFREDO: (desesperado) Parece até o meu primeiro dia de aula. Não sei o que fazer!
LÚCIO: Ei, o que é isso? Até parece que não temos o diploma na mão.
ALFREDO: (irritado) No que este papel vai poder nos ajudar Lúcio?
LÚCIO: Nos ajuda, basta acreditarmos e irmos a luta!
LUCIANA: Deixa de esperança furada Lúcio.
Tu sabes que tem por aí advogado trabalhando como gari?
ALFREDO: Professor ganhando a vida como camelô?
LÚCIO: Ei, parem com isso. Cadê aquele sonho que tínhamos de ajudar o mundo a ser melhor? Onde está a nossa fé de jovens que acreditam numa sociedade mais justa, igualitária?
ALFREDO: Ó Lúcio, faz uma coisa: porque tu não cai na real e vai ver se consegue uma vaguinha de vigilante numa empresa de segurança? Sim, isso mesmo, antes que teu pai tenha que cortar cana por mais 20 anos para te manter!
LUCIANA: É galera, eu tô me mandando. Tive a sorte de ter um pai rico. Vou ver se descolo um trabalhinho com meu velho na fábrica. (pegando a mochila do chão) Lamento que tenha que ser assim! Os dois amigos saem, um para cada lado. Lúcio fica confuso tentando alcançar os dois.
LÚCIO: Ei galera, e a pós-graduação? (eles já estão longe) Lembram: formaríamos uma equipe... Ei, esperem! (fica sem atitude depois que outros saem) Lúcio volta e começa a juntar os papéis no chão intercalando com as falas.
LÚCIO: Mas como podemos desanimar desta forma. Tínhamos tantos planos juntos (pausa). Na quinta série prometemos um ao outro que iríamos doar nossos primeiros anos profissionais numa ONG, e agora... (pausa) Mudar o mundo, como pude acreditar nisso? (terminando de juntar) O negócio é procurar um emprego, senão terei que voltar para o interior.
Ele começa a sair. Inicia a música “Coração de Estudante”, de Milton Nascimento. Ele pára. Ao toque da música vai largando os materiais no chão e começa sua fala logo após o trecho “É o nome certo desse amor”.
LÚCIO: (abaixa a música – tom de discurso) Já podaram seus momentos / Desviaram seu destino / Seu sorriso de menino / Quantas vezes se escondeu / Mas renova-se a esperança / Nova aurora a cada dia / E há que se cuidar do broto / Pra que a vida nos dê flor e fruto / Coração de estudante / E há que se cuidar da vida / E há que se cuidar do mundo / Tomar conta da amizade / Alegria e muito sonho / Espalhados no caminho / Verdes, planta e sentimentos / Folhas, coração, juventude e fé. (sobe a música)
Os personagens que estavam cobertos pelo lençol levantam-se um a um conforme a fala e voltam a cobrir-se ao final. Suas falas intercalam com a música.
ALUNO: Quero estudar, mas em minha escola ainda não há professores. O salário é baixo, as condições são precárias. Como posso aprender?
DOENTE: Estou há 8 meses na fila de espera. Preciso operar minha coluna. Não sei o que será de mim, não posso trabalhar... Tenho filhos para criar. O que será de nós se não há médicos no SUS.
VÍTIMA: Comprei uma casa, mas fui roubada. O imóvel já havia sido vendido para seis pessoas. Agora estou sem dinheiro e sem casa. Um advogado é muito caro, não tenho como pagar. Minha família... (desespero) Como vou recuperar esse dinheiro?
DESEMPREGADO: Não consigo arrumar um emprego. Quando me aproximo de um patrão não consigo falar e começo a chorar. Tenho traumas: meu pai me bateu muito. Preciso da ajuda de um psicólogo, mas como pagar as consultas, se nem emprego eu tenho?
Aumenta-se a música. Lúcio vai até as pessoas que estão novamente cobertas pelo lençol. Descobreos, lhes dá atenção e os conduz para fora de cena. E volta a declamar para o público.
LÚCIO: Desde pequeno sonhei com um mundo melhor. Um mundo que só seria possível se a juventude cantasse a mesma cantiga. Se os jovens estudantes aprendessem para si e para os outros.
Sem ele esperar, entra Luciana declamando.
LUCIANA: Uma sociedade mais humana só será possível se os profissionais equilibrarem o sucesso com a humildade, o lucro com a solidariedade, o poder com a democracia.
Entra Alfredo. Os dois sorriem num gesto de acolhida.ALFREDO: Uma juventude de fé, de coragem e de muito amor à sua nação. Jovens que cultivem em seus corações a paz e não a guerra, a partilha e não a ganância, o amor e não o ódio.
LÚCIO: Nossos sonhos serão realizados quando não houver mais crianças e jovens fora da escola. E estes, por sua vez, buscarem incansavelmente os valores que constroem a civilização do amor!
Chamam todos os atores para o palco e terminam com a música Coração de Estudante. Os da platéia também são convidados a cantar.
Visite as outras páginas
m sem estrutura adequada e sem professores suficientes. "O desfecho da greve deixou os professores ainda mais desmotivados e apesar do compromisso e da resp
No Dia do Estudante, hoje, o aluno da rede pública estadual tem pouco o que comemorar. Para o coordenador geral do Sinte-RN, Rômulo Arnaud, as escolas continuam sem estrutura adequada e sem professores suficientes.
"O desfecho da greve deixou os professores ainda mais desmotivados e apesar do compromisso e da responsabilidade deles com a educação, isso acaba influindo na relação ensino/aprendizagem", diz o sindicalista, acrescentando que as escolas estão repondo as aulas perdidas, mas é inegável que a postura do governo causou sérios prejuízos aos alunos.
Mas o sindicalista considera que o Dia do Estudante deve ser um momento de reflexão, por parte de toda a comunidade estudantil, sobre o papel do estudante no processo de ensino, sobre como podem contribuir para melhorar a qualidade da escola, já que o aprendizado também depende do aluno.
DATA ALUSIVA AOS ESTUDANTES SURGIR NOS ANOS 20 DO SÉCULO PASSADO
No dia 11 de agosto de 1827, Dom Pedro I instituiu no Brasil os dois primeiros cursos de ciências jurídicas e sociais do país: um em São Paulo e o outro em Olinda, este último mais tarde transferido para Recife.
Até então, todos os interessados em entender melhor o universo das leis tinham de ir a Coimbra, em Portugal, que abrigava a faculdade mais próxima. Na capital paulista, o curso acabou sendo acolhido pelo Convento São Francisco, um edifício de taipa construído por volta do século XVII.
As primeiras turmas formadas continham apenas 40 alunos. De lá para cá, nove presidentes da República e outros inúmeros escritores, poetas e artistas já passaram pela escola
No Dia do Estudante, hoje, o aluno da rede pública estadual tem pouco o que comemorar. Para o coordenador geral do Sinte-RN, Rômulo Arnaud, as escolas continuam sem estrutura adequada e sem professores suficientes.
"O desfecho da greve deixou os professores ainda mais desmotivados e apesar do compromisso e da responsabilidade deles com a educação, isso acaba influindo na relação ensino/aprendizagem", diz o sindicalista, acrescentando que as escolas estão repondo as aulas perdidas, mas é inegável que a postura do governo causou sérios prejuízos aos alunos.
Mas o sindicalista considera que o Dia do Estudante deve ser um momento de reflexão, por parte de toda a comunidade estudantil, sobre o papel do estudante no processo de ensino, sobre como podem contribuir para melhorar a qualidade da escola, já que o aprendizado também depende do aluno.
DATA ALUSIVA AOS ESTUDANTES SURGIR NOS ANOS 20 DO SÉCULO PASSADO
No dia 11 de agosto de 1827, Dom Pedro I instituiu no Brasil os dois primeiros cursos de ciências jurídicas e sociais do país: um em São Paulo e o outro em Olinda, este último mais tarde transferido para Recife.
A
Celebração
Há umas duas ou três décadas, os movimentos estudantis eram fortes. Alimentados pelo desejo de igualdade social, de uma nação mais humana, eles incomodavam quem trabalhasse contra esse ideal. Hoje, ainda existem, mas, a partir da formatura, é colocada uma pedra nestes sonhos e na esperança de dias melhores. O sucesso, o poder e o dinheiro tomam o lugar dos grandes projetos humanitários.
Resta a pergunta: Onde está essa força de mudança que é própria do jovem? Uma narração faz a contagem regressiva, enquanto que três jovens, no centro do palco, com mochilas e folhas nas mãos, acompanham olhando para o relógio. Ao redor deles, estão os personagens: aluno, doente, vítima e desempregado.